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quarta-feira, novembro 23, 2011

UM SONHO CHAMADO “TRÊS CÉUS” – PARTE II




















Saiba um pouco mais do romance a ser lançado pela Editora Gutenberg na Bienal de SP em 2012!

Leia antes aqui e aqui!

Era começo de 2007, e eu estava trabalhando em mais uma das muitas revisões pelas quais o “Todas as estrelas do céu” passou nos seus onze anos em busca de uma editora. Meu primeiro livro publicado, “Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes” (Ed. Novas Idéias, 2006) havia sido lançado meio ano antes, em Paraty. Eu passara o reveillon no Rio de Janeiro, estava naquele show do Black Eyed Peas em Ipanema, e lá conhecera cinco meninas muito interessantes: Eva, Dodo, Cami, Guga e Dani. As duas primeiras francesas, as três últimas colombianas, todas amigas que haviam se conhecido num intercâmbio em Buenos Aires. O sonho delas de conhecer o Rio de Janeiro havia se realizado com o convite de um grande amigo meu, o André, que também estivera em Buenos Aires. Convivi com elas – em idas e vindas, pois eu estava voando naqueles dias, mas pernoitei no Rio e tive algumas folgas também – durante mais de uma semana. E percebi o potencial daquelas meninas para serem personagens de um livro. Eu ainda não sabia muita coisa sobre meu próximo romance, e resolvi começá-lo por elas. A vida separou-nos a todos, e embora eu tenha ido a Bogotá várias vezes depois, não vi mais as colombianas, e embora tenha voltado muitas vezes a Buenos Aires, não mais encontrei as francesas. Até o André, um dos meus melhores amigos – “irmão gêmeo mais novo”, como ele gosta de dizer – perdi de vista nos últimos tempos por estes percalços de tempo e espaço aos quais estamos sujeitos.

O ritmo da vida de um tripulante é alucinante. Não somos melhores que ninguém, nem piores. Mas nosso trabalho exige isso. Essa velocidade, essa mobilidade, e por mais vantagens que existam em conhecer uma centena de cidades em duas dezenas de países, os sacrifícios são muitos. Enquanto escrevia “Três Céus”, presenciei o maior acidente da história da aviação brasileira de perto o suficiente para sentir o calor do fogo no meu rosto; encontrei o amor da minha vida que agora é minha esposa; digeri a perda de colegas; vivi a fusão de uma empresa gigante com outra de importância histórica inegável; vi neve pela primeira vez; passei a Páscoa longe de casa pela quarta vez; fiz malabarismos pra ver minha família no Natal pela quinta vez; realizei o sonho de estudar e tornar-me elemento credenciado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea e o pior golpe de todos, perdi meu ídolo maior, meu pai, que morreu poucas semanas após a conclusão do primeiro original de “Três Céus”, e cuja doença e a internação dolorosa, acompanhada de longe por mim, que o vi bem menos do que desejei por estar voando boa parte do tempo, fizeram parte dos últimos meses de escrita do livro.

A aviação está no meu sangue, desde muito cedo fui apaixonado por aviões, e migrar da publicidade para o trabalho a bordo de um Boeing 737 Next Generation foi algo inevitável e de certa forma, uma espécie de “must do” da minha vida. Conheci centenas de pessoas incríveis, que dedicam suas vidas, seus finais de semana, feriados e madrugadas a levar com segurança seus passageiros aos seus destinos. Salvo raríssimas exceções, é um grupo de pessoas maravilhosas, que assim como eu, amam voar. “Três Céus” é uma ode a estas pessoas e às minhas mais de 5 mil horas de voo.

Meses após eu terminar de escrever “Três Céus”, o “Todas as estrelas do céu”, que já vnha de uma campanha de divulgação na internet de quase um ano, foi publicado pela editora Novas Ideias, selo da 2AB, e a maior parte de vocês me conheceu graças a ele. Com o sucesso do “Todas”, e com o carinho que construímos no ano seguinte graças também ao projeto Novas Letras, o “Três Céus” foi se aproximando da sua vez de brilhar. Priscila Braga, minha leitora e amiga das mais elétricas, sugeriu e montou a campanha que depois veio a angariar centenas de pessoas e milhares de menções. Etiene, Tati, Leninha, foram muitas as pessoas – e estou sendo injusto por não citar todas aqui – que apoiaram a campanha, algumas delas receberam o manuscrito, e seis resenhas valiosas foram postadas na internet pela Priscila, pela Lena, pela dal Chico, pela Liv, pela Lis e pela Mary Paixão, para vocês saberem o que lhes esperava no livro seguinte ao “Todas” e pra eu saber o que melhorar nele antes mesmo da proposta de uma editora. E vieram muitos pedidos de editoras pra analisar o livro, e em seguida algumas propostas, e 2011 foi um ano que balançou entre o marasmo de meses sem notícias e semanas de esperança e desilusão. No fim, prevaleceu o que aprendi com uma escritora amiga minha chamada Drica Pinotti. “Quando elas querem, elas querem.” A Gabriela Nascimento, da Gutenberg, me procurou para conhecer o livro. Chegamos nos termos ideais para ambos em poucos dias, e agora, oficialmente, posso contar para vocês que serei sim colega da Paula Pimenta. A Gutenberg está preparando um ano de 2012 bastante especial para os autores nacionais e eu tenho orgulho de fazer parte deste time, que podem ter certeza, fará muito barulho antes, durante e depois da Bienal de São Paulo! Meu muito obrigado a vocês todos que apoiaram a campanha, ao meu amigo Comandante Danilo, que fez a revisão técnica do “Três Céus”, à Fernanda França, que fez a última revisão antes da aprovação do livro, à minha tia Mara, à Dea e à Vê, que leram antes de todo mundo e claro, à Gabi e à Gutenberg, por acreditarem no “Três Céus” tanto quanto eu sempre acreditei!

Enquanto eu escrevia este post, a escala de voos me ligou: tenho que me arrumar pois mais tarde vou ao Rio de Janeiro e volto: faço duas pernas de ponte aérea. Mas isso tudo vocês entenderão quando o “Três Céus”, no qual já estamos trabalhando desde já, chegar às livrarias.